PROMENADES

O “Financial Times” continua em papel e inclui o suplemento “House & Home” (“Casa e Lar”) dedicado a arquitectura e jardins. Recentemente publicou o ensaio «Um passeio ao longo da prom, prom, prom.» (Um passeio ao longo da Alameda.)

A partir da Villa Medici, em Roma, enumera exemplos de alamedas de Inglaterra à Espanha (em S. Sebastian), Paris, Praga e outras. Pertença das cidades, lamenta o estarem a ser esquecidos pelo urbanismo que despreza os valores do passeio, convívio e encontro, em detrimento dos espaços para o trânsito automóvel e a densidade construtiva. Interesses que não os da qualidade da vida citadina.

O Porto possuía uma tradição invejável. No séc. XVIII o Corregedor Almada mandou construir dois Passeios arborizados, com bancos e as mais belas paisagens. A ocidente (Virtudes) e a oriente (Fontainhas), equilibrando a cidade. Surgiram depois o Palácio (Av. das Tílias), o Passeio Alegre, a Cordoaria e a Alameda de Massarelos (há tempos desmantelada).

A primeira metade do séc. XX trouxe-nos Montevideu e a segunda a incomparável Alameda Eça de Queirós. E os finais do século ofereceram a magnífica Alameda 25 de Abril. O problema é ser construída onde foi. Do lado ocidental, já estaria ladeada de edifícios bem projectados e apetecíveis. Assim, lá vai servindo de Feira. Que excelente, moderno e amplo Passeio Público ali existiria se habitado e tornado cidade.

É altura de, no que resta de espaços disponíveis em Ramalde, Nevogilde, Paranhos e Campanhã a cidade deixar para o futuro alamedas para que os vindouros não nos acusem de pensar rasteiro. Ao metro quadrado.

©helderpacheco2018

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~ por Helder Pacheco em 2018-10-28.

 
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