O QUE NOS FICA?

Eu a falar de um mundo a ficar cada vez mais pequeno, e morre o Eng.º Almeida e Sousa. Deixa um vazio que nem meio milhão de Calistos Elóis consegue preencher. Ou mais. Talvez nem um milhão dessa parasitagem chegue para tapar o espaço que nos deixou.

Não sei se em Portugal há muita gente assim. Era um Senhor. Daqueles que nos faz levantar quando se aproximam. E um cidadão, cuja integridade nos arranha ao vermos o que por aí anda. E além de Senhor e Cidadão, um homem de causas, devotado ao Bem-Comum. Ao progresso da sociedade.

Como o Asilo das Raparigas Abandonadas, obra admirável de que foi responsável 50 anos. Devotadamente. E das suas primeiras iniciativas (só conseguida em 1976!) foi mudar-lhe o nome para Lar de N.ª S.ª do Livramento. Por ali passaram (na sua administração) mais de 5000, que se fizeram mulheres, nobremente formadas para onde a sua vocação as empurrava – até às universidades. E, desde 31.10.1874, quando foi fundado, o número deve ser muito superior.

E se falo no Lar, como sua obra maior, é para honrar publicamente o Eng.º Almeida e Sousa, com quem mantive divergências sobre a sua construção em Santos Pousada que terá – ou não? – adiado ou colidido com a da Escola Industrial do Bonfim. Nunca chegamos a acordo mas, entre cavalheiros, prevalecia a cortesia e a amizade.

Com a sua partida, o Porto empobreceu no corpo e na alma. A continuar assim, não sei onde vamos parar. Não temos ruas para os nomes dos que partem, nem temos quem os substitua. A internet, as redes sociais e ainda menos os robots como a dos anúncios não produzem Homens desta dimensão.

©helderpacheco2018

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~ por Helder Pacheco em 04/11/2018.

 
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