EU QUASE CAIO

O gazetilheiro Alfredo Simões de Castro (1845-1932) escreveu, a propósito de uma notícia: «Santo Deus! Eu quase caio, / Fico maluco, desmaio, / com tão estranha notícia (…)» Estas palavras vieram-me à ideia ao ler o anúncio das demolições para a orla marítima do Porto. Não que não esteja de acordo que a frente atlântica deva ser protegida das espertezas de oportunistas. Mas isso é uma coisa, o disparate é outra.

Fui contra a construção do Edifício Transparente. Disse que preferia o milhão de contos investidos na requalificação de Miragaia. Debalde. Mas demoli-lo será tão estúpido (ou mais) como construí-lo. Reconvertam-no, redesenhem-no, transformem-no mas não gozem connosco.

Nem ao pretenderem arrasar a Casa na Praia. Antes disso foi Colégio. Ali, devem deitar abaixo a praia ou fazer recuar o mar. A Casa na Praia foi construída como subestação da distribuição da energia que abastecia as linhas dos eléctricos. Estava longe do mar e a nascente da Esplanada do Rio de Janeiro. O que mudou foi a via do trânsito. Deixem-na em paz.

E quanto ao pavilhão da Pizza-Hut, os analfabetos ignoram tudo. Ali havia, desde o arranjo da marginal, nos anos 30, pelo Presidente Dr. Sousa Rosa (inspirado em França), o Pavilhão de Carreiros, em estilo Déco, onde a minha geração se deliciou a crescer. Era contemporâneo da Pérgola (que, deve ir abaixo, tal como a Esplanada do Molhe). Excelências da Agência do Ambiente, não façam o mesmo que os vândalos demolidores do encantador Pavilhão.

E se querem arrasar alguma coisa, têm o Castelo do Queijo ou o da Foz, que tapam as vistas para o mar.

©helderpacheco2018

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 2018-11-13.