DECADÊNCIA E REGENERAÇÃO

Pensam que as transformações em curso na cidade, são consequência do surto turístico? É verdade. Mas só até certo ponto e não com o peso que lhe atribuem.

Depois da classificação como Património da Humanidade, do Euro 2004 e da meia-capital cultural, o Porto entrou na decadência urbana, comercial, cultural. Em cidade-fantasma. Basta pensar em Mouzinho da Silveira, Carlos Alberto, Sampaio Bruno, 31 de Janeiro, Duque de Loulé, Ceuta, José Falcão e outras ruas que constituíam a indigência cívica.

E muitos tripeiros da alta, média e pequena burguesia – cimento de uma cidade que recusou o declínio – reagiram. Não foram os neo-salvadores que a retiraram da ruína. Foi ela própria. Os críticos da reabilitação podem vociferar, mas a cidade não lhes deve nada. Foram os precursores de um processo de regeneração urbana, os investidores que a puseram em marcha, os empreendedores que renovaram o comércio e converteram tradições obsoletas na regeneração de uma tradição dinâmica, que salvaram o Porto.

Não a partir dos perfeccionistas de aviário, mas a dos que acreditaram ser possível fazer ressurgir o Porto. Incomparável e indomesticável. Impõe-se agora, com olhos atentos, enfrentar os efeitos inesperados que atentam contra direitos dos habitantes e subvertem a identidade de alguns sítios. Mas essa é outra luta. Quem está a ganhar a guerra contra a destruição física da cidade, não pode assistir passivamente ao apagamento da sua alma. Vencer os desafios do desenvolvimento, eis a questão. A reabilitação do Porto não pode ficar pela arquitectura, a engenharia e a economia.

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-01-19.

 
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