INSISTINDO NOS COMBOIOS

Surpreso, recebi um folheto editado pela CP, publicitando a viagem no comboio histórico do Vouga, entre Aveiro, Macinhata do Vouga e Águeda e regresso. Esfreguei os olhos: estarei sonhando?

Isto porque, depois do que sucedeu, por aí fora com linhas consideradas obsoletas, não-rentáveis, inúteis e, por isso, abandonadas (em alguns locais até lhes roubaram os trilhos), a CP, aproveitando este troço que escapou, fez aquilo que, em alguns países, é um recurso turístico de sucesso. Na Inglaterra existem dezenas de linhas históricas para recreio dos viajantes interessados em conhecer a Albion característica e pitoresca. São um sucesso.

Num país que recebe gente como nunca, factura milhares de milhões com isso, algumas linhas abandalhadas, seriam uma mais-valia importante para o interior que precisa de desenvolvimento como de pão para a boca. Estão a imaginar, a partir do Porto, comboios históricos cobrindo o Vale do Tâmega. Conhecer Amarante. As linhas do Corgo e do Tua. Ir até Vidago, Vila Pouca, Chaves. E mais acima – por que não? – Miranda. E, a partir de Espinho o Vale do Vouga.

Oferecer, das janelas do comboio, o Outono no Douro. Não seria excelente oportunidade para mostrar aos milhões de visitantes que, além de haver mais Porto do que as Ribeiras, haver um Portugal irresistível?

Enquanto lá fora converteram as suas ferrovias históricas em contributos para o enriquecimento local, por cá, na melhor das hipóteses, construíram percursos pedonais, na pior encontramos mato, silvas e estações (que eram encantadoras) em ruínas. Como diria Vinicius: «Ó Insensatez!»

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-02-07.