SÓ PALAVRAS

Tenho orgulho em ser portuense. Isso não me impede de criticar os defeitos e incongruências de que o Porto dá mostras. E um dos piores chama-se ingratidão. Existem dezenas de personalidades perante as quais a cidade mantém a dívida de serem lembradas. Celebradas. Mas não. Sobre elas paira o esquecimento.

E uma dessas figuras chama-se Avelino Tavares. Portuense do coração teve a coragem de, em 1969, num país cinzento e amordaçado, editar uma revista dedicada à divulgação das músicas «do nosso descontentamento» e de autores e intérpretes que contribuíram para arejar o ambiente cultural e abrir janelas sobre o mundo ao nível do melhor que havia. O “Mundo da Canção” permanece, no campo da divulgação e dignificação da indústria e do espectáculo musical, como um dos acontecimentos mais relevantes do Burgo.

Mas o Porto e o país devem mais a Avelino Tavares. Trouxe até nós o brilho de Ferré a Paco de Lucia, de Gal Costa a Nara Leão. (Abriu-me os ouvidos para figuras como Ivan Lins, Pat Metheny e, num concerto memorável no Rivoli, o incomparável Astor Piazzolla). Além de ter apoiado número incontável de intérpretes portugueses (Carlos Paredes, José Afonso, Fausto, José Mário Branco, Rui Veloso e muitos mais), produziu, organizou e divulgou o Festival de Jazz do Porto, 17 edições do Festival Intercéltico, o Matosinhos Jazz, o Funchal Jazz, o Gaia Blues Festival e o Praia Blues.

Como um JN inteiro não chegava para contar quanto o Avelino fez em prol da comunidade, aqui lhe deixo um preito de homenagem. Vale pouco. Só palavras. Mas é o que tenho para demonstrar a minha gratidão.

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-02-07.