BESTIÁRIO

Segundo os dicionários «bestiário» tem a ver, entre outras coisas, com bestas. Da família ainda existem hipóteses como bestice, bestiola (animalejo) e, especialmente, bestialidade.

Parte significativa destas categorias guia automóvel e, adaptando a definição a linguagem cara aos portuenses, podemos categorizar o andamento dos espécimes quando se deslocam na cidade (onde o limite de velocidade é de 50 km).

As referidas categorias circulam assim: as bestas na casa dos 80 km, as bestas quadradas entre os 80 e os 100 e a honra, o Óscar vai para as bestas cúbicas – o zénite de tal forma de ser. Para mal dos pecados de quem lá passeia ou circula, fugindo aos semáforos de Diogo Botelho, o bestiário motorizado opta pela Rua de Bartolomeu Velho. Fruto da expansão urbanística da Foz, para as quintas e pinhais que lá havia (que, de resto, seria inevitável), esta nova rua, tal como outras da zona tem vantagens para os aceleras: é comprida, rectilínea, bem asfaltada e com pouco trânsito. Quer dizer: excelente para fazer dela uma pista de fórmula I. Alguma bestice nela conduz a 100 e muitos mais quilómetros.

Para obviar a este terrorismo, a solução é a Ex.ma Câmara lá colocar sensores no pavimento que, ao passar um dito-cujo a mais de cem à hora, façam disparar uma barreira de pregos e assim travarem o ímpeto criminoso. O ideal será a barreira ser levantada numa zona de muros em betão, no fim da recta, onde as bestas baterão com força, desfazendo os bólidos e a eles próprios. Tal medida higiénica teria a vantagem de livrar a cidade de energúmenos que só estorvam e não fazem falta.

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~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.