CALMA, CALMA

Em 30 anos de croniqueiro, não podem acusar-me de defender interesses próprios. Nada disso. As causas que valem, são as do Bem público e do progresso Comum. Mas, dizia meu avô: «Quem não se sente, não é filho de boa gente.»

Acontece que não possuindo vivenda como o Snr. Martins defendia que eu devia ter, moro numa torre de 15 andares e sessenta e tal habitações. E como numa democracia de sucesso, o automóvel deixou de ser um luxo para se converter em electrodoméstico e instrumento de trabalho, o estacionamento em frente, à volta e por detrás da dita torre é um problema. (Já tenho estacionado quase a um quilómetro.)

Pois em Novembro p.p., o incansável SMAS resolveu montar em frente à Torre um estaleiro de obras, cortando a rua e avisando da proibição de estacionamento por uns dias. Coisa ligeira, breve. Que aguentássemos porque era necessário colocar novas tubagens de saneamento. Tudo bem. Só que como temos de pagar o preço da interioridade, da centralização, do regionalismo, do isolamento, dos 300 anos de Inquisição, 8 de Miguelismo e 50 de Salazarismo, acontece que o estaleiro continua de pé, imperturbável. Em alguns lugares já cresceram ervas. Isolou o prédio e vedou a rua. Deixou uma nesga para acessos, quanto ao resto, era um depósito de materiais, que retomou agora alguma animação.

E foi entretanto colocado novo letreiro proibindo o estacionamento (no recinto vedado, só para automóveis voadores) por motivo de OBRAS, até 18.4.19. É uma esperança. Meio ano para enfiar tubos é, convenhamos, demasiado no país da Web Summit e dos milagres tecnológicos anunciados.

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.