CIDADE DO MUNDO (1588)

O impacto do turismo na cidade provoca reacções. Exaltantes e incondicionais ou considerando-o agente da perda do carácter do Porto. Com a reabilitação urbana, que o induziu, o «boom» turístico trouxe novo impulso económico e cultural ao desenvolvimento de uma urbe no limiar da decadência. Funcionou como motor de transformações que os portuenses devem analisar criticamente.

E assim se expressou uma leitora que, com amor ao Burgo, vê como a dinâmica turística pode afectar (se não houver políticas compatíveis dos interesses dos cidadãos com os do mercado) a essência da urbe.

Tratando-o por tu explica porque gosta do Porto, «inundado de gente que vem para te conhecer. Ver as tuas casas, antes degradadas, renovadas e ocupadas por gente que quer cá viver. Ver o teu centro, antes abandonado, fervilhando dia e noite com pessoas que passeiam pelas tuas ruas (…)» E afirma: «cresceste, amadureceste e és hoje uma cidade do mundo».

Mas não perde a perspectiva sobre as mudanças: «Uma cidade é acima de tudo as pessoas que nela vivem. São elas que te fazem, trabalham, sofrem e riem.» E salientando a irreverência dos portuenses que sempre lutaram pela liberdade e os ideais que configuraram a personalidade da Invicta, remata: «não os expulses das tuas entranhas, oferece-lhes condições para que se possam manter nas suas casas e se possam misturar com os que chegam.» E sublinha: «Serás assim a cidade de todos e não só de alguns.» Acrescento que esta tripeira deixou recentemente o Porto por encontrar do outro lado da Circunvalação melhores condições de habitabilidade.

©helderpacheco2019

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.