JAZZ E BLUES

Anunciam-se inovações que, se conseguirem resistir às contradições do mercado (dos gostos, lazeres e hábitos culturais portuenses), serão mais um avanço na vida social do Burgo. E a notícia é a abertura de um Clube de Jazz no emblemático Cinema Nun’Álvares.

O Nun’Álvares, inaugurado em 1959, com projecto do Arquitecto Nobre Guedes, marcou uma época de descentralização e valorização de zonas excêntricas da cidade com a abertura de cinemas em locais afastados da Baixa. Começou nos anos quarenta, com o Júlio Dinis e continuaria na década seguinte com o inesquecível Vale Formoso e o de que hoje falamos.

Apesar do Regime (ou contra ele), a cidade inovava e procurava integrar-se no mundo que nos chegava no que a censura não conseguia ocultar. Pelo ecrã do Nun’Álvares passaram filmes excelentes – estreias e reprises. E a casa enchia, incluindo espectadores vindos do outro lado da fronteira – a Av. da Boavista – que separava o Campo Alegre dos bairros proletários de João de Deus à Carcereira.

A morte lenta da cidade que, a partir dos anos 80, começou a perder população, projecção económica e vitalidade social, arrastou na voragem cinemas, cafés e locais do melhor que o séc. XX nos trouxera. E o Nun’Álvares foi apanhado pelo tsunami que ia varrendo o Porto.

Ressuscitá-lo como Hot Five Jazz Blues Clube é um serviço prestado ao Renascimento Urbano do Burgo. A dinâmica, a animação e a diversidade cultural constituem parte integrante da sua Reabilitação. Que não é só arquitectura. É muito mais do que isso, especialmente outra dimensão na vida activa de uma cidade para o séc. XXI.

©helderpacheco2019

Anúncios

~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.