LEVEI UM MURRO

Herdamos atributos de independência crítica na matriz portuense: a liberdade de pensamento e sua expressão e a intransigência perante o poder. Mas como nem tudo são virtudes, o erro tem de ser combatido. Sem tréguas.

O que li no Boletim da Fundação Gulbenkian, sob o título “Rumo a uma economia circular nas cidades”, abalou-me com a situação descrita sobre o Porto. E não vindo do Terreiro do Paço, é para tomar a sério. A Fundação Ellen MacArthur apresentou no Fórum de Davos um relatório com base no trabalho realizado em Bruxelas, Guelph (Canadá), Porto e S. Paulo. Pretende provar que, independentemente das características físicas, demográficas e socioeconómicas, todas podem trabalhar rumo ao objectivo de regenerar a alimentação das cidades.

No tocante ao Burgo (e Área Metropolitana) os números são a vergonha: aqui, «cerca de 14 mil toneladas de comida são desperdiçadas todos os anos»! E mais: «se evitar metade do desperdício de produtos comestíveis a A.M.P. poupará mais de 80 milhões de euros, quase 10 milhões dos quais só na cidade do Porto!» A redução dos impactos pela produção e desperdício de alimentos ajudaria a resolução de problemas como a desnutrição, além de serem evitadas 92 600 toneladas de emissões de gases com efeito de estufa!

Ando a alardear o Renascimento da Cidade e o seu sucesso cultural e científico e levo esta pancada de uma questão civilizacional. Mas o relatório adianta ser «possível melhorar e expandir os programas de prevenção». E aponta os exemplos da REFOOD e FRUTAFRIA. Valha-nos isso. Ainda há gente decente, pensando no progresso. A sério.

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.