NO BAIRRO DOS DUQUES

Não é por falta de leis que o nosso património sofre tratos de polé. Entre 1919 (Dec.-Lei 5373) e 1976 (Dec.-Lei 613) foram publicados 25 Decretos sobre “Protecção do Património Monumental”. Contando os nacionais e internacionais, o país deve ter assinado mais de uma centena de documentos contra o bota-abaixo dos lugares e o aviltamento de culturas.

O Porto é o protótipo da cidade oscilando entre a qualidade de projectos e a enormidade de destruições. Entre a atenção venerável por certos sítios e o absoluto desprezo por outros. Se nos lembrarmos que a Ribeira e o Barredo estiveram para ser arrasados, que uma estrada, construída sobre colunas, passaria por cima da Ribeira, e o Bairro da Sé foi várias vezes votado à demolição, vemos que não estamos numa cidade inocente na matéria. (A ferida aberta com a Av. da Ponte continua a assinalar a insensatez, o desprezo e a estupidez de que o Burgo – ou alguns por ele – também é capaz. E não se julgue apenas o passado.Em anos recentes duas belas casas do Bonjardim, das últimas tipicamente setecentistas, voaram numa noite ou quase…)

É por isso que, aproveitando a onda reabilitadora criada pelo facto de os promotores perceberem que lhes será lucrativa, algumas zonas da cidade, em vias de perdição, podem readquirir a sua dignidade e tornarem-se motivos de atracção exemplar. Como os quarteirões oitocentistas, a Sul e a Norte da Av. Rodrigues de Freitas, que representam muito da melhor arquitectura portuense e só por milagre não foram para o maneta. No Bairro dos Duques, que bela cidade se construiu e ali pode ressurgir.

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.