PENSANDO NO METRO

Anuncia-se a construção das novas linhas do Metro do Porto (como S. Tomé: acredito quando as vir), mas é caso para não rejubilar e não beijar a mão do Terreiro do Paço pela benesse. Porque as linhas de S. Bento à Casa da Música, e até Vila d’Este representam espécie de esmola para apaziguar os anseios do Burgo. Para adormecer.

E digo isto, não por má disposição permanente contra o Poder Central mas por outras razões. Uma, é que gostava de saber os números do investimento, nos últimos vinte anos, no metro da capital do Império em comparação com o do Porto. A outra é que a gente pensante, acha que a linha essencial à qualidade da vida urbana, seria a de Matosinhos a S. Bento, pelo Campo Alegre. Serviria milhares de pessoas, vários bairros sociais e duas universidades, além de toda a zona ocidental, rente ao Atlântico. Possibilitando o acesso às praias da gente do lado oriental, transportando o interior do Burgo para a beira-mar, a linha faria avançar o Porto para a 1.ª divisão do transporte público.

Como Copenhague, que vai inaugurar o seu novo Metro, antecedendo severas restrições ao uso do automóvel. Pois a inovação deste atributo da capital da Dinamarca (624 000 hab.) é que todos os residentes ficarão a 650 metros (ou menos) de uma estação de Metro. Eis o pensamento activo sobre a cidade que deixa o automóvel em casa. Por cá, continuamos a gastar horas nas bichas do Campo Alegre, Diogo Botelho, Gomes da Costa, etc. Por isso não me sinto reconhecido mas desiludido pela realidade da vida de um «optimista melancólico»: já não verei o Metro a passar em Lordelo.

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.