SER PROFESSOR

Sem eles o país não seria o mesmo. Seria pior: com menos horizontes para ver longe através da ciência e da cultura. Sem eles, continuaríamos na cauda da Europa – e se ainda andamos por aí, em certos indicadores –, isso deve-se aos políticos que temos tido e não à classe de que estou a falar. A dos professores.

Eles constituem – do pré-escolar à Universidade – a profissão mais nobre, que nos pode fazer avançar rumo ao lugar a que temos direito (como diria Garrett) na “Balança da Europa”. Não falo de todos mas dos autênticos (e não têm que ser apóstolos, mas honrarem apenas a carreira escolhida). Nem falo dos turbo-professores, a venderem aulas. Nem da contagem do tempo de serviço (que abrange os talentosos e os a fingir), assunto de bom senso político para ser resolvido.

Venho falar de uma carta – casualmente encontrada – expressiva da dignidade da função docente. Escrita por um aluno à sua professora (hoje na casa dos 80 e esquecida: o mérito é algo que o M.E. não conhece, apenas rankings), é exemplo da nobreza de quem recorda a passagem pela sua vida de alguém que lhe deu sentido. Leiam: «Senhora Doutora (…): Eu vou-me embora para o 2.º ano, para nunca mais ser seu aluno, que já sei que você não vai ser minha professora e eu queria ser seu aluno e estar consigo. Tenho muita pena e parece que vou chorar e prometo ir sempre a visitar. Adeus e muitas saudades do seu querido aluno…»

Chama-se José Eugénio Pereira Monteiro e se, por acaso, ler esta crónica, contacte-me através do JN, que transmitirei a referência à sua antiga professora, que muito gostaria de o rever.

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.