UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIOS

Uma leitora atenta ao que se passa na cidade, escreveu-me dizendo que, quanto ao Café Progresso, a indignara a notícia. «E assim se vai perdendo a identidade.» E acrescentava: «Há que salvaguardar nas transacções as designações e a nossa Língua. Detesto estes estrangeirismos por todo o lado.» Mas gosta de «ver a vida que vibra pelas ruas, os sorrisos dos turistas. O tempo também tem ajudado pois a cidade está luminosa e em recuperação urbana por todo o lado.»

A recuperação (ou reabilitação) é elemento-chave do Renascimento Urbano do Porto. Passamos de uma cidade a cair de podre a uma urbe um dia destes renovada. Com algum fachadismo (mas não é mal de agora: do edifício do Comércio do Porto restam as paredes exteriores e há 30 anos, quando a «obra» foi feita, ninguém reagiu -, o mesmo se passou com o interior do Rivoli que não é o meu, nem o que o Arq.-Eng. Brito desenhou. É outra coisa).

A propósito de certa «reabilitação», a leitora informava: «assisti há dias a verdadeiro crime na Rua de N.ª S.ª de Fátima. Descascaram rapidamente uma fachada de azulejos, sem o mínimo cuidado de os preservar. Era uma dor de alma vê-los caídos aos pedaços no chão. Telefonei para o Banco de Materiais [iniciativa excelente – digo eu], mas não foi possível falar com quem pretendia. Deixei mensagem, mas que não adiantou dada a velocidade da demolição.»

Sendo as fachadas azulejadas grande tradição portuense, o cuidado pela sua conservação deveria ser prioritário. Sem concessões. E como diz a informadora: «a Câmara não devia emitir licenças sem salvaguardar esse património.»

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-06-10.