Renovar ou Perecer

No Largo do Moinho de Vento, o Snr. António Farinheiro afixou na rede do estabelecimento: «Fechou a loja de cereais mais antiga da cidade do Porto». Segundo o Público (7.6.19) tinha 66 anos. Como noutras situações, o Porto confronta-se com um mundo em transformação. A mudança não me incomoda, porque essencial à cidade, mas sim a perda de carácter e humanidade de certos lugares, quando o seu comércio é expulso ou desaparece. É claro que o mundo actual trouxe novas exigências, outros hábitos de consumo, profissões nunca imaginadas, modernas solicitações. E a melhor maneira de a tradição as enfrentar, não é querer manter, no séc. XXI, fórmulas e costumes do séc. XX e alguns do séc. XIX (como acontece com a política portuguesa).

A solução é afirmar a tradição, dando resposta aos desafios que a confrontam (veja-se o sucesso de casas centenárias que ganharam o presente, renovando-se). Em muitos aspectos, a morte dos antigos negócios é causada pela pressão imobiliária aliada ao envelhecimento dos proprietários e à ausência de continuadores, ao desinteresse familiar pela actividade, à apetência da reforma, etc. (Conheço casos em que uma boa indemnização ajudou a partir.)

A questão não é a mudança mas a sua génese, perfil e impulso para requalificar o Burgo. Quando exercida em nome de interesses obscuros, pura especulação com os espaços e desprezo pelos mais elementares direitos dos cidadãos, a resposta é o exercício da autoridade do Estado Democrático, cuja função mais nobre é defender os fracos contra os apetites dos poderosos. Até nisto o Porto deverá dar o exemplo.

©helderpacheco2019

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~ por Helder Pacheco em 2019-08-02.

 
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