A Maior Romaria

Aí está a romaria à Senhora da Saúde do Campo Lindo, tradição do século XX, dos tempos em que, até à Asprela, tudo eram campos e tapadas, na periferia rural que se foi tornando cidade.

Um leitor evocou-a: «Íamos a pé da Rua do Almada a Paranhos. O Campo Lindo estava cheio de barracas de louça e de doces – principalmente de Paranhos, velhotes e doce da Teixeira. Tudo se passava em redor da capela e na rua que vai até à Arca d’Água. Para aquela gente era uma festa. Recebia os amigos e dava-lhes de comer e beber. Convidava as pessoas para um chá e outras coisas. Deitavam muito fogo e havia bandas a tocar ao desafio no largo da capela. Todos entravam e faziam bicha.»

E Santos Lessa (1952) recordaria: «as rusgas, com violas e cavaquinhos, de longada até à Senhora da Saúde. Os instrumentos, os passos da chula, malhão e caninha verde animavam as caminhadas (…).»Os lavradores caiavam as casas por onde a procissão passava, com o andor da S.ª da Saúde levado por militares do Quartel do Bom Pastor. Outro testemunho: «a feira da louça de Barcelos e o recinto das melancias e melões, têm grande clientela».

Interrompida durante anos, a festa renasceu por 1980, graças à sua Confraria, ao pároco e à Junta de Freguesia, exemplo de como estado laico e religião podem entender-se na vida urbana (que também é confraternização e comunicação colectivas). Até 15 de Agosto, a festa do Campo Lindo inclui grupos musicais, noite de fados, bandas de música, fogo de artifício, cantores, folclore, tríduo na capela e «majestosa procissão». Eis o Porto, ainda autêntico, inovando no que é preciso.

©helderpacheco2019

~ por Helder Pacheco em 2019-08-09.

 
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