Hélder Pacheco diz que o Porto atravessa um período de renascimento urbano

09-09-2019

“Está a surgir um novo tipo associativismo, que faz parte daquilo que considero ser o renascimento urbano desta cidade”. A afirmação é do historiador, professor e cronista Hélder Pacheco e foi dita na reunião de Câmara desta segunda-feira, a propósito da atribuição das verbas aos 24 projetos vencedores do Fundo Municipal de Apoio ao Associativismo Popular, aprovadas por unanimidade.

O grande número de candidaturas ao Fundo e o alargado âmbito de atuação de cada uma das associações e coletividades a concurso – no campo social, desportivo, cultural ou de outro tipo – fazem prova do “renascimento urbano” que a cidade atravessa, defendeu Hélder Pacheco, que nesta manhã se deslocou à Câmara do Porto, na qualidade de presidente do júri do PopUP – Fundo Municipal de Apoio ao Associativismo Popular.
“Está a emergir um novo tipo de associativismo de classe média. O associativismo cultural, de ocupação de tempos livres, em muitos aspetos jovem, e que não pretende substituir-se ao Estado Social, mas colmatar algumas brechas do Estado Social”, afirmou.
Algo que, acredita Hélder Pacheco, se refletiu no número de candidaturas apresentadas ao Fundo, que chegou às 90. Dessas, foram admitidas inicialmente 32, tendo sido posteriormente aceite mais uma candidatura, após reclamação.
Face a estes números, o presidente do júri sugeriu que a autarquia deve continuar “a fazer um esforço”, ampliando os apoios atribuídos ao associativismo que, no seu entender, “é uma das grandes tradições da cidade” e que, no caso do Porto, está a emergir como resultado de renascimento urbano da cidade, reiterou.
Como exemplo, calculou que se todas as 90 candidaturas tivessem sido aprovadas, “um milhão de euros não chegava” e, caso tivessem recebido apoio os 33 projetos admitidos (oito ficaram de fora por ponderação inferior a 75% na grelha dos critérios de avaliação), o investimento ficaria pelos 680 mil euros.
O investigador observou ainda a capacidade da generalidade dos candidatos em instruir processos considerados complexos e também “o realismo” dos pedidos, para resolver situações concretas.
A primeira edição da iniciativa disponibiliza um fundo de 400 mil euros e Rui Moreira admite que a verba poderá ser revista na próxima edição, em sede de debate orçamental, mas ressalvou que o objetivo é precisamente destacar “o mérito” das propostas. Tratando-se de um concurso, “sabíamos que num ano não poderíamos resolver os problemas todos”, intuiu.
Assim, além de esperar “que haja condições para a verba ser reforçada e também que se trabalhe a simplificação dos processos”, o autarca espera continuar a contar com Hélder Pacheco, tendo aproveitado a ocasião para lhe renovar o convite para a presidência do júri.
Mas sendo esta uma ideia inovadora, pretende-se também com ela que as associações saiam da sua zona de conforto, mesmo que isso signifique que tenham de elaborar uma candidatura para obtenção de um apoio, continuou Rui Moreira. Além de que, “em bom rigor, a Câmara do Porto sempre apoiou associativismo com medidas singulares”, votadas amiúde nas reuniões de Executivo, ressalvou o autarca.
Antes do período da ordem do dia, a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, tinha apresentado uma proposta de recomendação que defendia a criação do Gabinete de Apoio ao Associativismo, o reforço da dotação orçamental, no sentido de apoiar as associações que ficaram de fora deste concurso, quer para 2020. No entanto, a proposta foi rejeitada, tendo sido apenas aprovado, por unanimidade, o ponto relativo à clarificação das condições de apoio.
Para o PS essa clarificação é importante, sublinhou o vereador Manuel Pizarro, que entende que o aumento da dotação orçamental também deve ser considerado.
Já o vereador do PSD, Álvaro Almeida, elogiou a iniciativa municipal e, tal como referido por Rui Moreira, considerou que a autarquia poderá continuar a seguir dois caminhos: por um lado, apoiar estas associações para além do âmbito deste Fundo; por outro, discutir o reforço da verba durante o debate para o Orçamento de 2020.
Pela primeira vez, Hélder Pacheco assistiu “à democracia a funcionar” na sua “cidade bem amada”. São também do pensador – que “nunca fez favor a ninguém” e que sempre manifestou a sua opinião livremente, disse Rui Moreira – afirmações recentes relativas ao turismo, quando referiu que nele o Porto tem “uma grande oportunidade” e que deve ser encarada sem saudosismo.
Apoios a atribuir
As 24 candidaturas contempladas na primeira edição do Fundo de Associativismo Popular foram apresentadas pelas seguintes associações/clubes/coletividades: Académico Futebol Clube; Associação Desportiva JUDO FORCE; Associação dos Doentes Renais de Portugal; Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto; Associação Escolas Jesus Maria, José do Monte Pedral; Associação de Ludotecas do Porto; Associação Moving Cause; Associação Portuguesa de Deficientes; Benéfica e Previdente-Associação Mutualista; Casa Madalena de Canossa; Centro Comunitário S. Cirilo; Centro de Atletismo do Porto; Clube Infante Sagres; Coro de S. Tarcísio; Estrela Vigorosa E Sport; Fundação AMI; Grupo Desportivo do Viso; Mocidade Invicta Futebol Clube; Mundo a Sorrir; Novo Acto- Associação Artes Performativas; Rancho Folclórico do Porto; Sport Comércio e Salgueiros; Teatro Independente do Paranhos; Vivercidade- Associação para a Promoção de Arte.

~ por Helder Pacheco em 2019-09-16.

 
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