A Portuguesa

A crónica de hoje foi sugerida pela carta de um leitor. Saudável, por demonstrar que, apesar de, diariamente, o conceito de Pátria e patriotismo ser abandalhado pelos que se apropriaram do país em seu proveito, ainda há quem dele tenha uma noção nobre e digna. Destes, poderia dizer: mereciam uma Pátria mais limpa.

A carta tem a ver com o hino nacional e que terá sido truncado. Diz assim: «A letra do hino português não começa no verso “Heróis do mar, nobre povo”, mas no preâmbulo que o antecede: “Viva a Pátria, viva o povo português”, que tem a respectiva música a acompanhar logo no princípio. (…) Lembro-me que nas escolas, no serviço militar (já lá vão cerca de seis décadas – o Capitão “Viva a Pátria”, até nos obrigava a cantar certo), isto era insistentemente ensinado. Pelos vistos deixou de ser (…)» (talvez na Reforma de 1957, do Estado Novo).

Aliás, a Portuguesa terá sido amputada noutra estrofe: não dizia «contra os canhões, marchar, marchar», mas «contra os bretões», os ingleses que nos tinham vexado com o Ultimatum. Trata-se de um branqueamento. Além de nos agacharmos (e por isso o Porto fez o 31 de Janeiro) escondemos, no Hino Nacional, o libelo contra a arrogância estrangeira (mas há quem afirme isso é uma «lenda» e a Portuguesa nunca atacou os bretões).

Pessoalmente, até gosto mais do Hino do Minho, da Patuleia, do povo anónimo que se revoltou contra a prepotência e a corrupção. E a letra, patriótica, de Paulo Midosi, diz: «Eia avante, Portugueses! / Eia avante, não temer! / Pela santa liberdade, / Triunfar ou perecer.» Vontade e ímpeto agora fundamental.

©helderpacheco2019

~ por Helder Pacheco em 2019-10-25.

 
%d bloggers like this: