NATUREZA E PAISAGEM

O Museu dos Jardins de Londres comemora os 200 anos da morte de Humphry Repton, criador do conceito de «Landscape design» (ou, digamos, «desenho da paisagem»). Tendo publicado, em 1816, o «Fragments on the Theory and Practice of Landscape Gardening», influenciou inúmeros jardins ingleses, passando aos E.U. através de Low Olmsted, co-autor do Central Park, de Nova York. E chegou ao Porto, pela via do Parque Ocidental, inspirado em alguns aspectos daquele.

O Parque da Cidade é milagre que o Porto deve à acção de alguns arquitectos, Presidentes de Câmara e Vereadores que souberam manter viva a utopia e nos legaram uma obra exemplar de «Landscape design». O Parque é o protótipo da paisagem construída. Sobre os sítios dos Bairros de Xangai e da Liberdade (os piores do Porto), campos de lavoura e pinhais, além da aldeia de Carreiras, foi projectado e desenhado levando a cabo um ambiente. Excluiu aquilo de que Repton não gostava, «os parques solitários» e transformou-se no que ele defendia: «ver a humanidade nos jardins». Porque o Parque da Cidade se converteu num sucesso que atrai multidões.

Mas a cidade possui outra oportunidade de construir paisagens urbanas para nosso encantamento: no Vale de Campanhã com o seu Parque Oriental. Nele pode surgir algo único: um ambiente de rios, aldeias (redesenhadas por arquitectura do nosso tempo, que as respeitem), caminhos campestres, florestas. Para sermos também herdeiros do legado de Sir Humphry Repton, um sonhador que convertia a natureza em quadros de uma exposição, perfeitos como paisagem concebida pelo talento humano.

©helderpacheco2019

~ por Helder Pacheco em 2019-11-24.

 
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