O QUE FAZER?

A “Voz Portucalense” noticiou a organização de um “Convénio Internacional” para debater o destino a dar às igrejas que deixem de estar afectas ao culto e a reutilização dos bens culturais da Igreja.

O problema é actual, pela drástica diminuição da população dos Centros Históricos, que detêm a maior parte desse património. E o Porto será atingido, já que no seu casco antigo e zonas envolventes, existem edifícios dessa categoria.

Sou defensor do Estado Laico. Mas não sou estúpido. Não ignoro a importância da igreja para o desenho urbano da cidade, a coesão das comunidades e a essência da personalidade tripeira.

Alguns crimes foram cometidos, como a destruição do Mosteiro de Monchique e sua igreja gótica. Dos Capuchos ficou o claustro. As igrejas dos Lóios e S. Domingos evaporaram-se. Esteve à venda a capela da S.ª da Lapa, na Cantareira. Sem ela, perde-se a memória social da colmeia piscatória. Lembrei à Câmara a sua aquisição. Debalde. A capela do Senhor dos Navegantes, em Sobreiras, é não sei o quê, e a imagem desapareceu (tal como a S.ª da Lapa).

Em York – onde existem dezenas de templos – observei que numa das suas igrejas góticas mais valiosas actua uma Companhia de Teatro. E em Maastricht, a livraria que consideram a mais bela do mundo (não viram a Lello) funciona noutra igreja gótica.

Diria duas coisas: 1.º Não fechem os edifícios desactivados. Nada mais pungente do que um templo encerrado. 2.º Encontrem para eles utilizações culturais ou sociais atractivas. Não os transformem em mausoléus ou museus medíocres. E desculpem a intromissão de um leigo neste assunto.

©helderpacheco2019

~ por Helder Pacheco em 2019-11-24.

 
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