Acesso à cidade: Um direito

A caminho de vencer a batalha da reabilitação, perguntar-se-á: agora, qual o maior desafio colocado ao Porto? Respondo: tornar a cidade acessível. Aos que tiveram de a deixar, que nela querem continuar a viver, que nela gostariam de morar mas não possuem rendimentos para isso.

Nicolas Colin, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, considera o acesso à cidade «a nova fronteira social». E defende ser preciso declarar guerra a hábitos e legislação obsoletos face aos paradigmas da urbe actual, que entende prisioneira da tradicional classificação dos bens imóveis em escritórios, comércios, hotéis, habitações, serviços. Propõe a revisão do direito do urbanismo para facilitar a rápida conversão de escritórios, lojas – ou fábricas – em habitações, destas em hotéis, que um imóvel possa servir a vários usos em simultâneo, etc. E por que não imóveis habitados por residentes e turistas?

Defende a expansão do parque imobiliário. Construir mais e não ficar pela cidade-museu, porque sendo as cidades motores do desenvolvimento económico, impedir o seu crescimento é cercear a criação de emprego. A cidade-museu é um obstáculo ao acesso da população a vivê-la. Mas, para construir mais, é necessário aumentar a produtividade da construção e não pode construir bem quem não aprenda a reduzir os custos.

Perante o emaranhado de especulação, ausência de políticas firmes no sector imobiliário, dificuldade do acesso à cidade por parte da classe média (que, depois, dos mais pobres, tem sido a principal excluída), podemos supor o tempo que a revolução vai demorar a chegar cá.

©helderpacheco2019

~ por Helder Pacheco em 2020-02-05.

 
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