Patxi

Depois do 25 de Abril, a paisagem musical do Porto alterou-se com a vinda de figuras nacionais e estrangeiras. Apesar das reticências da cidade, a diversidade imperava e a colonização anglo-saxónica não começara. Refiro-me à música dita ligeira, que os melómanos autênticos apreciam tanto como óperas e sinfonias. (No campo da música dita clássica o panorama era invejável.)

Com limitações, o Burgo foi ouvindo no Rivoli, Coliseu e Carlos Alberto intérpretes de primeiro plano: Paco de Lucia, Paco Ibañez, os Gipsy Kings iniciais (mais popularuchos), Joan Manuel Serrat, Léo Ferré (e o inolvidável ”Avec Le Temps”), Collete Magny, Michel Petrucciani, Stephan Grapelli, Astor Piazzola e até americanos com Gary Burton e Pat Metheny. E inúmeros brasileiros.

Muitos partiram, levados pela gadanha que não nos perdoa a precariedade. Há dias, um amigo mandou-me esta mensagem que deixou mossa: «Morreu Patxi Andion» (veio cá várias vezes, a primeira em 1969) e cantava: «Veinte años de estar juntos / esta tarde se han cumplido. / Para ti… flores… perfumes, / para mi… / algunos libros. / No te he dicho grandes cosas / porque… porque no me habrian salido, / ya sabes… / cosas de viejos… / requemor de no haber sido. (…) / Hoy, en esta noche fria, / casi… como ignorando el sabor de la soledad compartida, / quise hacerte uma cancion / para cantar… despacito, / como se duerme a los niños. (…) / Sera… sera que esta cerca el rio… / o es que estamos en invierno / y estan llegando… / estan llegando / los frios.»

Que falta nos fazem palavras assim… Adios Patxi, hasta siempre.

©helderpacheco2020

~ por Helder Pacheco em 2020-02-05.

 
%d bloggers like this: