Cultura a Oriente

Se o Porto fosse um barco estaria adornado para a Foz. É pecha antiga, desde que, no séc. XIX, ingleses e burguesia tripeira começaram a instalar-se em Cedofeita, e, Campo Alegre fora rumo ao Atlântico. A cidade ficaria dividida entre o lado Ocidental, residencial e o Oriental, com indústrias e operários. A partir daí, investimento imobiliário e cultural e ordenamento urbano privilegiaram o território a poente, em detrimento do nascente. Mas bastaria o seu Vale, para Campanhã ser vista com outro olhar.

O século XXI trouxe o início da mudança. O Dragão e o Parque Oriental afirmam-se como eixos de transformação. E, recentemente, surgiu outro polo de inovação: o Centro de Arte Casa S. Roque, criado pela Associação “Viver Cidade”. Um milagre de perseverança e amor ao Burgo, que converteram o arruinado Palacete Ramos Pinto num modelo de reabilitação. Construído nos inícios do século XX, sobre uma habitação rural setecentista, segundo o projecto do Arq. Marques da Silva, o Palacete constitui um exemplo do ecletismo portuense. Integrava jardins (com camélias centenárias), bosque e terreno agrícola que hoje constituem o Parque de S. Roque. Tudo conjugado e poderemos usufruir em Campanhã de um desígnio cultural que replique Serralves (quero dizer: categoria e sucesso) já que, além das exposições, o Centro de Arte («uma casa do Porto para o Porto e para o mundo») oferecerá no Jardim, a partir de Maio, concertos de Jazz e de música clássica.

Na confluência da tradição com a modernidade, oxalá o público e a cidade saibam corresponder ao mérito desta arrojada iniciativa.

©helderpacheco2020

~ por Helder Pacheco em 2020-02-09.

 
%d bloggers like this: