BAIRRO DO LEAL

A OMS registou o termo «Infodemia», para descrever «as práticas informativas que promovem o pânico e as condutas incorrectas». Também temos tido disso, através dos (e das) que Javier Marias designa como «Entusiastas do Pânico». Mas, sejamos justos, são menos comparativamente com a comunicação espanhola (de que aquele articulista do El País dizia «Sem a má fé de muitos meios, a população teria ficado mais sossegada»). Não me apetece, pois, falar do Covid 19, mas projectar o futuro. Ou reinventá-lo.

E o futuro passa pela minha cidade. Vê-la melhor, mais justa, mais culta e habitada por gente falando à moda do Porto. Mas, para isso, são necessárias habitações para uma classe média condenada ao exílio. E um mercado do arrendamento não restritivo. Nesta matéria, um arquitecto amigo ligado ao imobiliário e a trabalhar para amanhã, estudando e planificando o sector, garantiu-me que muito alojamento local pode converter-se em habitação permanente.

E como não acredito no discurso «infodémico» sobre a impossibilidade de repovoar a cidades vitimadas pelo «efeito donut» (centros desertos e periferias super-habitadas) continuarei a defender a reabilitação (projectando a modernidade) de bairros como o do Leal. Nele viviam, no coração do Burgo, há poucos anos, dezenas de famílias – agora é uma ruína. Porque chegamos a isto quando, entre 1974 e 77, o SAAL ali iniciaria uma renovação exemplar? Eis, quanto a mim, a oportunidade soberana para fazer avançar – como o previsto – a construção de meia centena de habitações para, também no Leal, dar sentido ao renascimento urbano da cidade.

©helderpacheco2020

~ por Helder Pacheco em 2020-04-28.

 
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