AINDA JÚLIO DINIS

A Maternidade Júlio Dinis é o exemplo de como o Poder Central era vesgo para as carências do Burgo e os tripeiros responderam a um problema premente. De facto, nos anos 30 do séc. XX, o panorama era quase catastrófico em matéria de Assistência Materno-Infantil. Entre 1930 e 36, a taxa de mortalidade para o primeiro ano de vida seria de 23.24% (até 1932, de 25%), fruto da situação social existente. E como a capital possuía, desde 1932, uma maternidade moderna, o Porto meteu mãos à obra.

Tudo começou em 1926, a partir do monumento a Júlio Dinis, no Largo da Escola Médica. A homenagem mobilizou a cidade para angariação de fundos por parte de senhoras e meninas que vendiam flores de papel azuis. Sobrando dinheiro, o Prof. Alfredo de Magalhães lançou novo repto: construir a maternidade da Invicta.

Assim se fez, através de festivais, peditórios, jogos de futebol. E como quando não existe faz-se do melhor, convidaram um especialista – o suiço Georges Epitaux – para projectar o edifício, construído entre 1928 e 1937, com o Estado, enfim, a garantir o investimento em falta. E o Porto ganhou uma instituição exemplar, que se tornou imprescindível.

A recente edificação do Centro Materno-Infantil do Norte (que sempre apoiei) veio trazer à antiga maternidade a dimensão contemporânea. Disse-o e repito-o: o prestígio da cidade ganha-se com instituições relevantes. Só não compreendo a razão porque o nome do patrono da instituição foi varrido do mapa. A nacional tecnocracia pela-se por siglas, ignora a história e prefere CMIN a Centro Materno-Infantil Júlio Dinis? Apenas um nome.

©helderpacheco2020

~ por Helder Pacheco em 2021-01-23.

 
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