DA SEIVA

O Porto foi sempre teatreiro. No séc. XVIII havia ópera nos teatros do Corpo da Guarda (1760) e S. João (1798). Oitocentos seria a época de ouro de forte movimento associativo, iniciado com as Sociedades Dramáticas da Thalia e Almeida Garrett (1860). E o teatro profissional assentou raízes.

No séc. XX, surgiria o notável Grupo dos Modestos (1902). Meio século depois (1953) estreava-se o fulgurante T.E.P. E quando, em 1973, nasceu a Companhia de Teatro Seiva Trupe, a tradição atingiria novo patamar.

Ao longo de meio século a “Seiva” conciliou no palco da qualidade o teatro popular com o erudito, cruzando estéticas, géneros, estilos e encenações. Basta atender a alguns dos 125 espectáculos: Lux in Tenebris, de Brecht (1975); A Queda de um Anjo, de Camilo (1977); o Cálice de Porto, dos saudosos Benjamim Veludo e Manuel Dias com Norberto Barroca (1982); Uma família do Porto, de Júlio Dinis (1984); O Motim, de Miguel Franco (1986); As Criadas, de Jean Genet (1988); O Comissário de Polícia, de Gervásio Lobato (1992); Os Tambores na Noite, de Brecht (1994); O Estranho Caso do Trapezista Azul, de Mário Cláudio (1997, inaugurando o Teatro do Campo Alegre); O Arco de Santana, de Garrett (1999); Dias Felizes, de Beckett (2001). E outros.

Por tudo isto e mais o Prémio Seiva, a Escola de Teatro, os originais e autores que promoveu e a intensa actividade desenvolvida pela Seiva Trupe, não entendo as razões do imperial Ministério da Cultura em recusar-lhe o apoio que significa sobrevivência. Ou melhor, entendo: 70% dos contributos têm sido reservados a Lisboa e seu envolvimento. Até quando?

©helderpacheco2021

~ por Helder Pacheco em 2021-01-23.

 
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