DISCREPÂNCIAS

A mentalidade centralista assume diversas configurações. Ora é subtil, dá pancadas nas costas e quase pede desculpa. Ora opera sem disfarce. Conforme as circunstâncias assim a roupagem.

O assunto que trago à colação pertence à categoria situada entre a ignorância e o distraído. Acontece que uma revista de referência, sob o tema “Descobrir Portugal”, publicou uma separata dedicada ao “Património”. Até aí, só elogios. O problema começa quando a mentalidade centralista mostra a sua displicência no tratamento do Burgo e da justa promoção do mesmo relativamente à capital do Império. Vejamos: no TOP 10 do património do Norte, são incluídos três locais: Torre dos Clérigos, Centro Português da Fotografia (presumivelmente, o edifício do Tribunal da Relação) e Museu de Serralves. Em Lisboa destacaram cinco. Aceita-se (sempre é a capital!)

O pior sucedeu quando fizeram escolhas destacáveis. A Norte, do Porto aparece o Museu Soares dos Reis. E foi tudo. A Sul («Olhai, Senhores…») foram seleccionados nada mais, nada menos do que catorze locais (11 museus, 2 palácios e uma igreja). A discrepância é flagrante porque, da mesma categoria ou mais relevantes do que certos destaques capitalinos teríamos, na Invicta, o Palácio da Bolsa, Pontes Maria Pia e Luís I, Estação de S. Bento, Igreja de S. Francisco, MIPPO, Casa da Música. Ficaria mais equilibrado, menos tendencioso e, sobretudo, mais competente. Feito com critério e não em cima do joelho. Razão tinha o Cancioneiro ao dizer: «De Lisboa me mandaram / Um presente com seu molho: / As costelas de uma pulga / O coração de um piolho!»

©helderpacheco2020

~ por Helder Pacheco em 2021-01-23.

 
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