DO ESSENCIAL

Porque a ignorância só me permite falar do Porto, poderia fundamentar as crónicas a partir da imprensa. Basta ler as notícias para encontrar assuntos. E o de hoje é essencial ao futuro da cidade.

Dizia o JN: «O Porto quer ganhar mais quatro mil residentes». E: «A Câmara estima colocar à disposição dos seus munícipes cerca de mil imóveis», (de T0 a T4). O objectivo é combater a tragédia cívica que levou o Porto à quase implosão social. O despovoamento do seu Centro Histórico e do que consideramos a Baixa, foi ultrajante, a assobiar para o lado enquanto a cidade se desmantelava.

Vejamos a evolução dos seus residentes: 1900 – 165 729; 1930 – 229 799; 1960 – 303 420; 1981 – 327 368; 2001 – 266 790; 2011 – 237 591; 2019 – 216 606. Dizem que durante o dia a população quase duplica e deve contar-se a flutuante, etc. Balelas. O que dói aos tripeiros não metafísicos é verem a cidade definhar, perdendo cem mil habitantes e envelhecer.

Impõe-se afirmar como desígnio do Renascimento Urbano do Porto (agora que a reabilitação está a ser ganha) o repovoamento da cidade. Atraindo jovens, classe média e os estrangeiros que nos escolherem. Aproveitar as consequências da pandemia convertendo estruturas turísticas em habitações ao alcance da maioria, construir e densificar a partir das ruínas da desindustrialização e das antigas zonas rurais (o verde de uma cidade não são campos de milho, mas praças, jardins e parques públicos). Eis a revolução, o combate que esta Câmara deve (e procura) enfrentar. E, no futuro, quem não assumir tal desafio como essência autárquica, não serve o Porto.

©helderpacheco2020

~ por Helder Pacheco em 2021-01-23.

 
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