O QUE MUDOU

Quando a maldição nos deixar, a internacionalização da cidade permanece como primordial. Afirmando identidade, cultura, património, ciência, tecnologia, o que confirme prestígio e contribua para o renascimento urbano do Porto.

A revista “Monocle”, sob o título “Luzes brilhantes, cidades pequenas”, colocava o Burgo como primeiro de dez cidades com menos de 250 000 hab., pela acessibilidade, progressão, calor do acolhimento, etc. E a “National Geographic Traveller”, antecipando o “Melhor do Mundo para 2021”, destaca, na Invicta, «experiências culturais imperdíveis».

Mas nem sempre foi assim. E trago à colação a polémica no “Rand Daily Mail”, de Johannesburg, divulgada pelo “Comércio do Porto”, de 30.1.1908, provocada pelo artigo de um turista relatando que ao desembarcar em Leixões fora assaltado «por um bando de homens esfarrapados, de rosto picado de bexigas e que no Porto a todos os momentos eram rodeados de pobres». O artigo intitulava-se “Os mendigos do Porto” e criticava o «ver mulheres entregues a trabalhos rudes, etc.».

Em defesa do Burgo, o emigrante Alberto Rodrigues atribuía tais juízos «ao desconhecimento dos méritos da cidade», acusando o autor de «não a ter visto há mais de doze anos». Foi tão convincente, que a redacção do jornal rejeitaria as opiniões do texto visado, afirmando: «Em homenagem aos que prezam o Porto de hoje, deve dizer-se que o artigo aludido foi baseado numa visita feita há bastantes anos àquela cidade».

Controvérsia à parte, a verdade é que penúria, insegurança e atraso existiam. E muito caminho foi preciso andar para chegarmos aqui.

©helderpacheco2020

~ por Helder Pacheco em 2021-01-23.

 
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