QUE TEMPOS!

Segundo o “Dicionário Complementar da Língua Portuguesa”, de Augusto Moreno, minha muleta desde os 12 anos, a palavra «trampolineiro» significa embusteiro, trapaceador, intrujão, velhaco, caloteiro. E dela derivam trampolina, trampolinar, trampolinagem, trampolinice e trampolinista. Consultei depois o “Grande Dicionário da Língua Portuguesa”, de Mestre José Pedro Machado. Nele, aquela palavra aplica-se a quem faz trampolinices. E pouco acrescenta, a não ser trampolinada e ainda que trampolina é o acto ou dito de trampolineiro.

Dirigi-me, finalmente, à Esfinge, à Minerva, à verdadeira Enciclopédia e deusa das sabedorias do mundo electrónico, digital, confortável e à mão de semear chamada Google. E lá me disseram que trampolineiro é adjectivo ou substantivo masculino significando trapaceiro, velhaco, patranheiro, enganador, ardiloso, falaz, impostor, mentiroso e sub-reptício.

Depois de tudo, face às realidades do nosso tempo, pus-me a congeminar uma teoria etimológica que introduzisse a novidade quanto à origem de palavra tão cheia de conotações negativas (o trampolineiro, no Porto, era considerado abaixo de cão). E encontrei a verdadeira raiz do vocábulo: trampolineiro deriva directamente de Tramp (com a, à moda do Porto), seu inventor e exemplo. Até parece impossível que o dito-cujo não industrie a comandita para perseguir os autores dos dicionários que lhe roubaram os louros. E teria razão. Na minha vida nunca vi nada igual, nem o Fajardo, que, segundo as crónicas, pôs o Burgo em sobressalto. De tal forma que, premonitoriamente, até deu origem à palavra fajardice.

©helderpacheco2021

~ por Helder Pacheco em 2021-01-23.

 
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