UMA EXPOSIÇÃO INESQUECÍVEL

Em Julho de 1975, abria ao público, no Museu Soares dos Reis, a notável exposição “Levantamento da Arte do Século XX no Porto”. Foi organizada por uma Comissão integrando nomes sonantes do panorama artístico: os pintores Ângelo de Sousa, Joaquim Vieira e Jorge Pinheiro, o escultor José Rodrigues, o crítico de arte Fernando Pernes e a museóloga Etheline Rosas.

Foram necessárias determinação e perspicácia para ambicionar a criação daquilo que não tinha, até então, sido possível nesta cidade. De facto, no manifesto da Exposição, os organizadores afirmavam reunir «testemunhos do gosto plástico» no Norte do País, através de um projecto que valesse como «afirmação acusatória e desafio dinâmico». E acrescentavam: «O que está em causa é a inexistência no Porto dum Centro de Arte Contemporânea». A Exposição seria «o protesto contra uma política museológica nacional que, ao ignorar praticamente os artistas vivos, corre o risco de asfixiar no passadismo academisante a vitalidade da arte de todos os tempos».

O acontecimento (na turbulência da época passou quase despercebido) funcionaria como percursor de uma visão moderna e actuante na vida cultural do Burgo. Na sequência seria criado o Centro de Arte Contemporânea, embrião do futuro Museu de Serralves (por milagre encontraria alojamento na Casa e Parque, sobre os quais as sombras da ambição imobiliária chegaram a pairar).

Na senda desta saga iniciada por aquela Exposição, oxalá um equivalente a Serralves possa desenvolver-se no Porto Oriental, através da Casa e Parque de S. Roque. A bem da qualidade do nosso viver.

©helderpacheco2020

~ por Helder Pacheco em 2021-01-23.

 
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