ESPLANADAS

Ainda sou do tempo em que, no Porto – salvo na Feira Popular –, não havia esplanadas ao ar livre. Talvez por preconceito dos invernos frios, húmidos, etc. Nada convidativos para andar e conviver na rua. Desculpas… A verdade é que, europa fora, as esplanadas funcionavam com ou sem aquecimento e os portuenses preferiam os interiores a estarem ao sol ou ao relento. Fora isso, a Câmara, com a mentalidade de um Regime que suspeitava de tudo, inclusive ajuntamentos, não ajudava a que o hábito enraizasse.

Mas como a terra é redonda e o tempo tudo muda, neste capítulo assistimos a verdadeira revolução. E, por quanto é sítio, a cidade, quase do pé para a mão, converteu-se às esplanadas. Grandes (como as da Praça), médias e pequenas, conforme os passeios, largos, pracetas e algumas ruas (como em Santa Catarina). Vendo bem, com a proliferação de esplanadas (licenciadas mais 123 com um acréscimo de 810 m2), a paisagem urbana alterou-se e, acho eu, para melhor. Ganhou animação. Ganhou gente usufruindo dos espaços públicos. Impulsionada pelo turismo, jovens Erasmus, influências, aculturações, a cidade mudou virando uma página do imobilismo para novas realidades.

Mas apesar da terra ser redonda, não há mundos perfeitos. E assim, por oportunismo, incompetência, afã do lucro ou simples falta de chá, em alguns locais, mesas e cadeiras das esplanadas quase impedem a circulação dos passantes. Dificultam cadeiras de rodas e carros de bebés, obrigam a fazer gincanas para não cair nos pratos da sopa. Sim, vivam e multipliquem as esplanadas e os comeres com paisagens ao fundo, mas haja respeito.

Helder Pacheco 2021

~ por Helder Pacheco em 2021-04-24.

 
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