JOÃO MANUEL

Brecht dizia: os homens que lutam toda a vida são imprescindíveis. Um conheço eu, a quem o retrato se aplica na perfeição pois, ao longo do último século, fez de tudo e por toda a gente, grandes e pequenos, velhos e novos, homens e mulheres. E, sobretudo, a gente desta cidade, onde nasceu e de que sempre se considerou fiel servidor: na Misericórdia, no Hospital Maria Pia, no Lar do Comércio, na Casa do Gaiato (apoiando, na rádio, os peditórios para a instituição), na Ordem da Trindade.

Mas não só. Nos seus momentos de maior dádiva, altruísmo e dedicação à causa do Bem-Comum, foi impulsionador das generosas Cruzadas de Bem Fazer do Porto. E ainda mais: aos milhentos versos e prosas que escreveu, acrescentou a Marcha Oficial do Glorioso F.C.P. Mas, sobretudo, inventou a inesquecível fábrica de paródia, gozo, crítica, gargalhadas e boa disposição chamada “A Voz dos Ridículos”, o mais antigo programa humorístico da rádio portuguesa.

Salvé, pois, o centésimo aniversário do jovem (por dentro, sim, mais novo do que muitos que andam por aí lacrimejando) João Manuel Lopes Antão, portista indefectível e portuense indestrutível que muito admiro. Dele se pode dizer, conforme Pascoaes, que «está à margem do tempo, isto é, na eternidade.» E como a maldição vírica que nos atormenta impede a jantarada que lhe iríamos oferecer (com discursos e tudo), aqui vai a homenagem de um indígena da Vitória, dando o que pode e o que lhe resta, em palavras ouvidas em Vila Chã de Aguiar: «Entra, amigo, nesta casa / se és deveras meu amigo. / Entra, abraça-me, descansa. / Senta-te à mesa comigo.».

Helder Pacheco 2021

~ por Helder Pacheco em 2021-04-24.

 
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