ON THE AIR

A história da comunicação portuense é o retrato da iniciativa da cidade. E de descentralização. Se pensarmos que, nos meados do séc. XX, existiam no Porto três jornais matutinos, um vespertino e dois desportivos fazemos ideia da vitalidade da imprensa.

Na falta de TV, a rádio era familiar. Conforme o território, assim a estação preferida: Rádio Porto, Orsec, Electromecânico, Rádio Clube do Norte, Ideal Rádio, que formariam os Emissores do Norte Reunidos. Em 1937, para responder ao lisboeta Rádio Clube Português, surgiu o Portuense Rádio Clube, “Associação Cultural e de Recreio”. Na Av. Rodrigues de Freitas, os estúdios do PRC distinguiam-se pelas condições técnicas, convertendo-os em auditório de espectáculos e entretenimento. Neles nasceu, em 1945, a “Voz dos Ridículos”.

A paisagem radiofónica da cidade, afirmava uma cultura que a identificava, com locutores que o público admirava. Recordo alguns, celebrando quanto trouxeram aos portuenses: Fernando Gonçalves, Mário Socorro, Júlio Guimarães e Rocha Curado (que formariam um dueto musical), da escola do PRC. O popular Júlio Silva (Ideal Rádio), Laura Moreira (Electromecânico), Ramiro da Fonseca (Orsec). Ou Carlos Silva, Abílio da Fonseca, Ernesto Oliveira, João Montalverne, Ápio Garcia, Alfredo Alvela, Eugénio Alcoforado. A emissora do regime (dita “Massadora Nacional”) tinha, no Porto, locutores apreciados: Humberto Mergulhão, Carlos e Fernando Vitorino de Sousa, Alfredo Pimentel…

Eis um património em vias de extinção, tal como a independência, a autonomia e, sobretudo, a identidade tripeira em matéria de radiodifusão.

Helder Pacheco 2021

~ por Helder Pacheco em 2021-04-24.

 
%d bloggers like this: