UM MONUMENTO

No notável livro “1820 a Revolução Liberal do Porto”, José Manuel Lopes Cordeiro põe tudo em pratos limpos. Desde a ligação imprescindível entre o Burgo e a revolução, até às reticências e traições de saudosistas do Regime deposto.

Um assunto permanece actual: a construção do monumento consagrado ao acontecimento. Facto controverso, o livro retoma argumentos expandidos em 1912 por Alberto Bessa dando a conhecer a história do projectado monumento, cuja primeira pedra foi lançada na Praça da Constituição, em 24.8.1822. Para o efeito, seria aberto um concurso ao qual concorreram Joaquim Rafael, João Baptista Ribeiro e João Francisco Guimarães. Depois de muita discussão foi escolhido o projecto do primeiro, súmula grandiosa dos ideais do liberalismo expressos em alegorias à Constituição ou ao patriotismo.

A iniciativa ficou gorada logo em 1823, com a contra-revolução absolutista. Até 1834 não seria possível construir o monumento, e, após a vitória liberal, no seu lugar ergueram a estátua de D. Pedro IV.

Já que, salvo no Porto, o aniversário da Revolução passou como se não fosse a semente da nossa democracia, era digno assinalar os 200 anos do lançamento da 1.ª pedra construindo, finalmente, o monumento ao arrojo e determinação tripeiros. No sítio certo: o Campo 24 de Agosto, um projecto grandioso (como fora pensado), com o espírito do nosso tempo e a memória de 1820. E se não temos Miró, Zadkine, Moore ou Calder para o conceber, possuímos gente à altura na cidade: Zulmiro ou Helder Carvalho, José António Nobre, Souto de Moura…

Aqui fica o desafio à Ilustríssima Câmara.

Helder Pacheco 2021

~ por Helder Pacheco em 2021-04-24.

 
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