UMA ESPERANÇA

O Bairro da Tapada possui tipologia sui generis e localização incomparável. Sui generis porque a sua construção utilizou como parede de apoio o muro do Passeio das Fontainhas. A localização oferece a vista esplendorosa sobre o rio, a ponte, a Serra do Pilar. Na «aldeia urbana» da Corticeira, o bairro integrava um complexo operário oitocentista na vizinhança das indústrias. Povo e trabalho, junto da Alameda construída pelo Corregedor Almada para usufruto da burguesia do Bairro Oriental.

O Bairro concitaria, nos tempos das vacas gordas, apetites imobiliários. Assim, em 2017, anunciava-se que seria comprado por uma empresa do ramo, abrangendo 88 casas das quais 35 habitadas (os contratos a prazo ficariam até ao seu termo e o mercado não tinha de fazer caridade, etc…)

Para surpresa minha (e agrado, pois pensava ter nascido no local mais um «resort» – contra os quais não tenho nada, mas não ali) vejo que o Bairro da Tapada foi comprado pela CMP e está a ser reabilitado para habitação de famílias carenciadas. A ser assim, retoma-se um pensamento que se tivesse continuidade dos anos 70 até agora, mudaria a urbanidade portuense no sentido da renovação das zonas históricas, nelas mantendo a população. Refiro-me ao projecto SAAL, cujos resultados, quase meio século depois, permanecem nas Antas, no Leal, em Salgueiros, em S. Victor, na Bouça, na linha de actuação que, nos locais onde a reabilitação se impunha, teria salvo o Porto da implosão dos seus habitantes.

Porque é vital para o futuro da cidade, espero que o projecto se concretize e possa demonstrar a justeza do conceito.

Helder Pacheco 2021

~ por Helder Pacheco em 2021-04-24.

 
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