APRESENTAR HELDER PACHECO

Não será tão fácil quanto possa parecer apresentar Helder Pacheco.

Simples seria rotulá-lo como historiador, como cronista desta cidade do Porto, citar a sua vasta bibliografia, em que o mesmo objecto temático se transforma, se renova, se desdobra em sempre novas, encantatórias, singulares perspectivas. Ou arriscar uma série de slogans, tipo “quem não lê Helder Pacheco não conhece o Porto” ou “se o Porto é a Sé, a Torre dos Clérigos, a Ribeira, campanhã e a Foz, as Tripas e o  Futebol Clube do Porto, é também Helder Pacheco e a sua obra?”  e  ainda mais simples, pelo menos para mim, seria comentar que Helder Pacheco, por ser bem conhecido, prescinde de apresentação.

Todavia leitor interessado dos seus livros, eu acho que, felizmente, o seu autor escapa a classificações rígidas e restritivas. Nâo será apenas o historiógrafo descrevendo com cientifico rigor, às regras apertadas da cronologia, nem somente o cronista narrando, com mais ou menos estilo, maior ou menor sentido de humor, subtileza ou critica variaveis, determinados episódios.

Na sua escrita vive também o poeta que se exalta e comove e apaixona, que muitas vezes faz com que os seus livros cantem, existe também o critico – porque não dizer o politico, não no sentido pejorativo, mas mais elevado de elemento integrador e devotado ao bem estar e ao progresso da urbe-,constantemente permanece o fotógrafo das almas, dos habitantes e do burgo, e estas caracteristicas serão quanto a mim, fundamentais para tornarem ímpar, excepcional, verdadeiramente fascinante a sua obra.

António Rebordão Navarro, Abril 2001


 
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