Razão do sentimento de pertença ao Porto

razao do sentimento

“….. Mais invoco a legítima, honrada e fundada autoridade de Helder Pacheco, o nosso republicano, republicaníssimo conterrâneo, portuensse de rija cepa doublé de acrisolado portista com o dragão ao peito, que tão rigorosa e minuciosamente tem vindo a historiar, contar e cantar este nosso caloroso e apertado sentimento do Porto, para vos dizer, citando-o, que: ” As cidades com alma […] têm os seus espíritos. Os seus sentidos profundos. Os seus mistérios e segredos. As mil e umas coisas, explicáveis ou inexplicáveis, que fundamentam o seu carácter e distinguem a sua identidade. Coisas simples, aromas e ruídos, espaços e ores, luminosidades e penumbras. Falares. […] Vendo as coisas assim que estação lembra o Porto? A primavera? O Verão? O Outono ou o Inverno? para mim a resposta é simples e inequívoca: o Porto é uma cidade outonal. Uma cidade de entardeceres suaves e nostálgicos […] de brumas ténues e cerrações difusas, de tons esbatidos lembrando aguarelas como as de António Cruz. Uma cidade atlântica […] sem sul, contida em espaços de penumbra, […] nas ruas onde pairam, subtis, aobscuridade, o vazio, a noite.”

 

Miguel Veiga, 24 de Abril 2007

 

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