Sobre o Livro de Natal

Helder Pacheco é um dos maiores conhecedores da história recente do Porto, com uma vasta bibliografia sobre a cidade. Os seus livros dão-nos sempre uma visão muito humana e vívida, embrenhando-nos nos ambientes e atmosferas de que fala. Este livro sobre o Natal no Porto resulta de um trabalho que o autor foi realizando ao longo de 20 anos. É a história da época entre o Advento e a Epifania na cidade ao longo dos últimos séculos. A maior das festas do ano, o Natal tem um especial significado. Junta as famílias, à volta da mesa, e duma bacalhoada consoadeira (que há-de servir para a “roupa-velha” do almoço do dia de Natal), das rabanadas, filhós, aletria, etc, etc. (com as receitas), até ao bolo-rei, que surgiu no Porto em 1882. Os presépios, a árvore de Natal, as prendas (que dantes vinham no sapatinho). E depois as Janeiras, a festa de Reis. O imaginário de crianças e adultos que com o correr dos tempos se foi transferindo para o consumo nos grandes espaços comerciais.
Mas Helder Pacheco também nos fala de outros Natais. Daqueles que vivem sós, dos que têm de trabalhar na noite da consoada.
Um livro com bastante iconografia. Uma história que é de todos nós. A memória de que somos feitos.

“Há um aroma a canela e limão nas folhas deste livro. Há uma candura da idade do pião, infância vivificada durante o período litúrgico, desde a novena do menino à festa dos Reis Magos. Há nostalgia, lambarices, rostos sepultados que ressuscitam na celebração natalina. Há um quadro consoadeiro, estado de espírito, alimento da Natividade.”
Alfredo Mendes, Diário de Notícias, 27/11/02


 
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