Douro, Meu Rio, que te matam, que te matam

associacaoMoldando-o e adptando-o às suas necessidades e à sua configuração, o Porto fez do Douro o espelho de um rosto sempre renovado. Meio físico, geografia paisagem e cultura dos homens, foram os ingredientes que fundiram a cidade e o seu rio, numa unidade que nos desabituamos de considerar como a raíz do espírito e do carácter do burgo. No que eles possuem de exterior e de retratável e que, ai de nós, se esvaem, um pouco (ou muito?) com este Douro. Este rio de quem nos esquecemos e deixamos degradar. Que matamos um pouco mais em cada hora que passa. De solidão. (Não é verdade que, tal como as pessoas, também os rios morrem de abandono e desamor?). Douro, meu rio, ensina-me os caminhos para te reencontrar…

Helder Pacheco, in Tradições Populares do Porto

Texto incluído na proposta de admissão de sócio da Associação dos Amigos do Rio Douro 

Anúncios

 
%d bloggers like this: