E ainda quero mais

Nem é nada de particularmente ambicioso para cidade que se preze o que pretendo para o Burgo: que o CMIN – como instituição médico-científico-social – venha enriquecer o centro da Cidade e que nova ponte pedonal nos livre do pesadelo da travessia via Luís I. Mas existe um terceiro objectivo que anseio concretizar, menos para usufruto pessoal do que em benefício do Porto: a transformação do Pavilhão dos Desportos em (verdadeiro) Centro de Congressos.

O Pavilhão nasceu torto. Tal como a Casa da Música, inaugurada quatro anos depois do Porto 2001 que a justificou, ficou concluído após o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, de 1952, para o qual foi construído. Inaugurado à pressa, sem cobertura, deu origem a episódios caricatos quando a chuva alagou o recinto e obrigou à disputa de jogos (como o Espanha-Itália) num armazém de conservas, em Matosinhos. Desde então, sendo embora palco de acontecimentos importantes, a verdade é que esteve subaproveitado e nunca conheceu gestão à altura da sua capacidade. Até pelo facto de ter substituído a jóia chamada Palácio de Cristal, merece melhor do que ser recinto esporádico do que calha, em apagada presença na vida portuense de que poderia constituir alavanca dinâmica.

O Porto necessita, como essencial a uma estratégia de internacionalização, do Centro de Congressos e Pavilhão Multiusos. Dizem-me que os U-2 actuaram em Compostela por falta de recinto equivalente no Porto. Que a U.P. (na sua afirmação internacional) poderá converter a Cidade num pólo de Congressos e reuniões cujo número de participantes não se compadece com as condições existentes. Que o Burgo está a perder competitividade e possibilidade de organização de eventos fundamentais a estruturas geradoras de emprego e qualificação técnica e profissional.

Activação do comércio tradicional e criação de novas actividades, ocupação hoteleira, expansão do turismo da região (um amigo meu organizou há tempos o congresso mundial da sua especialidade médica e trouxe ao Porto cerca de 2 000 pessoas), impulso à investigação e desenvolvimento, induzidas pela vinda de especialistas nacionais e estrangeiros, promoção de espectáculos e eventos de alto nível, estes factores e alguns mais fazem-me apoiar, sem tergiversações, a transformação do Pavilhão dos Desportos naqueles equipamentos nucleares do Renascimento Urbano da Invicta.

Que o Município não se deixe enredar nos meandros de um processo paralisador, pois o Bem Comum exige determinação e eficácia (para que o impasse do Bolhão não se repita), com todas as condições para melhorar o presente e construir o futuro da cidade. Como portuense das infâncias no Palácio de Cristal (coisa de que muitos não podem orgulhar-se), não vejo que seja incompatível tal projecto com a beleza, memória e espírito daquele lugar emblemático. E recordo que se ouviram – como é uso – críticas virulentas à construção do notável edifício da Biblioteca Almeida Garrett. Com ela, o «Palácio» do nosso sentimento ganhou um componente cultural que o prestigia.


 
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