O meu projecto

No início do ano formulam-se votos daquilo que gostaríamos que acontecesse de positivo nas nossas vidas. Como da minha guardo tais pensamentos em sítio reservado, prefiro antes falar dos meus votos para a cidade, parte tão íntima de mim, que não consigo compreender-me sem ela. Nesta fase, como dizia Júlio Dinis: «Passar mais de dois meses longe do Porto e da companhia daquelas pessoas que estimo (…) seria infelicidade de mais.»

O que gostaria de ver acontecer na Urbe neste novo ano? Eis o meu projecto de reencontro e afirmação. O que faria tem a ver com sonhos de grandeza e aspirações do futuro. E, se não ando a reboque das maiorias, ainda menos me impressionam as minorias activas que, por barulhentas que sejam, valem o que valem e, não raro, valem pouco, por não darem provas de subordinar os seus interesses aos desígnios da cidade.

O meu programa seria, portanto: 1.º Prosseguir a regeneração urbana do Bairro da Sé e avançar com obras para Cimo de Vila / Rua Chã / Rua do Loureiro – que metem dó; 2.º Acabar o nó cego da escarpa das Fontainhas, há uma década em obras paradas, restituindo o Passeio ao nosso usufruto; 3.º Lançar as bases de um plano de requalificação do Bairro de Miragaia – jóia da coroa até agora menosprezada; 4.º Avançar com a reabilitação da Baixa alargada a novas áreas (como Duque de Loulé, a rua mais degradada da cidade, ou a parte pedonal da Rua da Sovela); 5.º Reabilitar o Bolhão (fui lá fazer compras de Natal e continua a ser um império das coisas boas e autênticas), com: a) Comércio tradicional, bem instalado no terrado, mantendo qualidade e veracidade; b) Lojas de ofícios, comedoiros, animação, música nas galerias; c) Escadas rolantes entre os pisos; d) Estacionamento subterrâneo; e) Ligação directa, por túnel, ao Metro; e) Cobertura total leve, elegante, em ferro e vidro, num grande projecto de arquitectura, envolvendo e tornando cómodo o recinto; 6.º Transformar o defunto e inútil Pavilhão dos Desportos no Palácio dos Congressos e espaço Multiusos da cidade; 7.º Construir a linha do Metro pelo Campo Alegre; 8.º Revalorizar as nossas praias perdidas – com bandeiras azuis, para voltarmos aos banhos; 9.º Prosseguir a construção do Parque Oriental, como grande objectivo urbano; 10.º Liquidar a vergonha do Clérigos Shoping e entregá-lo à imaginação de um plano sustentado de revalorização da Baixa; 11.º Tolerância 0 para os borradores de paredes (ou, se forem menores, os paizinhos que paguem os prejuízos), acabando com a bandalheira imposta ao Porto pelos que o desrespeitam (a par, incentivar os verdadeiros artistas de painéis, oferecendo-lhes espaços e materiais para valorizarem a cidade); 12.º Reabilitar a Av. da Boavista, que ultrapassou a fase da anedota urbana; 13.º Desenvolver o conceito do Porto-Cidade solidária, com uma dimensão social avançada (redes de apoio domiciliário a idosos e doentes, centros de dia para doentes de Alzheimer, cobertura total de creches e jardins-escolas, etc.); 14.º Relançar uma política audaciosa de promoção turística do Porto e Douro, afirmando internacionalmente a Cidade como destino europeu; 15.º Ressuscitar o Museu de Etnografia e História como repositório das tradições da região; 16.º Afirmar, sem tréguas, a gestão do Aeroporto como motor de desenvolvimento regional; 17.º Reconstruir o S. João como Festa Maior da Cidade, transformando-a em apoteose do espírito tripeiro; 18.º Reabilitar e dignificar a habitação social sob o slogan: “Mais ninguém centrifugado para a periferia”; 19.º Combater tenaz e energicamente o totalitarismo centralista que devora este país. 20.º Exigir que o Porto seja tratado com dignidade e desprezar os vendilhões, que esquecem a Cidade que não se rendeu – e por isso lhe chamaram Invicta; 21.º F.C. Porto sempre e campeão . 22.º Como escreveu Pascal Bruckner: «Conservar um pensamento rebelde, demolidor de ídolos (…) ser absolutamente moderno porque resolutamente tradicional».

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