Jogar prá frente

Dizia meu pai, lojista da Baixa, acumulando a sabedoria do pequeno burguês portuense precavido, que os assuntos de família não são para discutir na praça pú-blica.
Dele herdei a aversão aos tiros nos pés (deixe-se tal actividade aos partidos e à campanha que se adivinha edificante) e à lavagem de roupa (suja ou limpa). Ainda assim, no início de nova temporada da alegria do povo e face às expectativas do meu reino azul-e-branco no campeonato em curso (de que – como dizia o snr. Araú-jo, do Bairro do Carvalhido – já não abichamos nada há dois anos), queria dar conta dos anseios clubistas.
Vêm de portistas acima de qualquer suspeita, indefectíveis na sua paixão, de-voção e persistência. Incorruptíveis. Um escreveu-me dizendo: «Quanto ao Nosso Glorioso F.C.Porto, tive que recordar a história do menino que andou na escola pela primeira vez à porrada. Disse então à Mãe que tudo correu bem: «levei mas também apanhei que me consolei». O Ex.mo Snr. Lopetegui perdeu há pouco por 2-1, mas diz estar contente, porque estamos a crescer. Foi o que nos disse durante toda a época passada!!!» O outro – com 90 anos de amor à camisola, tripeiro emérito e versejador nato – desabafou em quadras: «Desde os tempos de rapaz / O mijar é para a frente / Só a burra é que é pra trás / Porque é um mijar diferente. // Ora o nosso Porto amigo / Da forma que está a jogar / Acredite no que eu digo / Jamais golos vai marcar. // O “sistema” que chateia / Que enerva e arrelia / É o “pra trás” volta e meia / Num jogo de cobardia. // E pelo que temos visto / Já em tanta ocasião, / À verdade eu não resisto / Dou a minha opinião…»
Alerta, pois, ó gente da minha terra. Como dizia a minha amiga Joaquina: «Quem está habituado a ganhar não se resigna a ser perdedor». Sus! A eles, pelo Burgo e o Dragão.

©helderpacheco2015


 
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