Porto: da Cidade Inventada

da cidade inventadaMemórias de um Porto distante, mas que merece ser perpetuado. Recordações que de tão belas, mais parecem de uma Cidade Inventada.

«A cidade não era invisível, mas inventada. Inventada porque, há muito (se calhar, em 1984, no primeiro livro), recriara a imagem de um certo (meu) Porto que, a partir de então, serve de arquétipo (talvez queira dizer exemplar ou orignal. Ou talvez modelo) para tudo quanto escrevo. Mas que cidade é esta, afinal, a minha? A que inventei? Certamente a que mais me interessa, que me prende, enternece e cativa, suscitando um turbilhão de lembranças, evocações, rostos, episódios que as mudanças de calendário não esbatem. E o que contém essa cidade recriada? Percebi então que significava – não mais do que isso? – uma espécie de regresso a Shangri-La. De retorno à pureza original que significa a infância. Que se tratava dos alicerces da nossa urbanidade, do esqueleto da nossa identidade: os laços familiares. E também os de vizinhança (da nossa rua, da minha rua) e os de amizade, companheirismo, camaradagem. E o nosso bairro, a nossa escola, a Ordem de que somos Irmãos, o nosso clube.»
Edições Afrontamento 2006

 
%d bloggers like this: