Porto: Da Outra Cidade

da outra cidadeÉ novamente o Porto. A cidade de todas as surpresas e nostalgias. E contrastes. A cidade do inesperado, fazendo contraponto com o que há muito nos acostumámos a conhecer como habitual. Da austeridade e das penumbras acinzentadas pelos esconsos de ruas apertadas. Ou dos dias verdadeiramente tripeiros, sem excesso de luz. (Ou de luz coada por neblinas e morrinhas que tornam inconfundível o ambiente portuense. Enchendo-o de suavidades e meias-tintas quadrando com o tom difuso das manhãs nevoentas.)

É novamente o Porto. A cidade de todas as seduções contidas na secular adaptação da arquitectura à geografia duriense-maiata, lição que os novos tempos parecem esquecer (ou não foram, ainda, capazes de apreender). O Porto das referências gravadas nos lugares-sulcos desenhados por gestos generosos dos trabalhadores da pedra, onde a arte atingiu a perfeição. A cidade inventada, torneada, modelada, estruturada na relação amorosa com o território de sonhos e grandezas, misérias e frustrações que fazem parte da vida e firmam as raízes da gente tripeira. […]

 

Campo das Letras 1997


 
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