Senhor de Matosinhos – Memória das Farturas

matosinhosO arraial do Senhor de Matosinhos! Não se vê metade! Goza-se o encontro de amigos, a conversa avulsa, os rumores matizados, os festeiros buliçosos, o pára e arranca entre tentações, e…. as apetecidas farturas, aquelas especiais do “nosso” fartureiro.

Sensível, arguto e rigoroso, Helder Pacheco sacode o pó dos registos, colhe depoimentos e entrevista. Para quê? Para que se saiba de onde vêm, o que são e quando apareceram as farturas. E muito teve que suar porque foram aqueles que no século das luzes, e na primeira metade deste vigésimo, se interessaram pelo popular.  E faz-nos saber que, com grande probabilidade, as farturas apareceram aqui nos anos 30.  Como pode ser tão jovem uma tradição que é hoje referência! Farturas são fritos; são comeres festivos do mundo mediterrânico para saborear no tapete, na manta, à mesa, em boa companhia, brincando, convivendo. Comê-las é transgressão colectivamente partilhada e assumida, é o repúdio episódico e contido da norma, o festim. Nada tem a ver com a desgraçada e repetida transgressão solitária do chocolate, da bolacha, do escondido no bolso ou na gaveta, do roubado da despensa, ferrete de vorazes comedores angustiados pelas vicissitudes dos tempos que correm.

                     Viva a fartura, a rabanada, a filhós em seu tempo!  

Que bem lhe saiba.

Emílio Peres

Edição da Câmara Municipal de Matosinhos 1997

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