Visitar o Museu do Papel Moeda

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Na Sequência da visita de um grupo de alunos do Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes (em 13.06.2008), uma opinião.
Visitar o Museu do Papel Moeda reveste um duplo significado, um duplo prazer, uma dupla experiência.
Duplo Significado: primeiro, o de aceder a uma instituição que dignifica o Porto no seu aspecto – tão frequentemente esquecido – de uma cidade dinâmica na procura da qualidade; e, segundo, o de encontrar uma instituição cujo nítido objectivo é promover o conhecimento, rigoroso e concreto de uma área da sociedade, do património e da História que – tratando-se, afinal, do valor do dinheiro, público ou privado – tende a ser desvalorizado (ou, quando não, menosprezado) no plano das políticas culturais.
Duplo Prazer: primeiro o de encontrar um ambiente arquitectónico e museológico propício à serena contemplação de um espólio fiduciário único, magnífico, irrepetível, oferecendo-se à nossa descoberta no decurso de um espaço de tempo – que tende a alargar-se na expectativa de segunda visita, pela sensação do que ficou para trás e do que ficou para ver ou para rever –, onde podemos pressentir a inebriante sensação de uma viagem sem tempo e através do tempo; e, segundo, a agradável e reconfortante surpresa – tão difícil em país onde visitantes, consumidores, contribuintes, espectadores são frequentemente tratados com duas pedras na mão e uma no sapato da arrogância gratuita – de uma recepção cordial, uma simpatia envolvente, um encaminhamento competente e dialogante.
Dupla Experiência: primeira a de observar, exactamente expressas, a preocupação pedagógica, a exigência didáctica, a exposição da clareza e da eficácia dos meios, linguagens e instrumentos de suporte das colecções; e, segunda, como resultante final, a conclusão de que este é o Museu da verdadeira modernidade e do autêntico cosmopolitismo que afirmam o Porto como cidade de cultura, de ciência e de abertura a uma visão alargada da sociedade. Este é um Museu para a nossa época e à altura dos desafios do país da exigência e da excelência a que aspiramos – o único que vale a pena distinguir (do outro nem vale a pena falar).

Porto, 16 de Junho de 2008
Helder Pacheco


 
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