Sobre Helder Pacheco

•09/07/2010 • Comments Off on Sobre Helder Pacheco

Helder Pacheco

Nasceu no Porto, na antiga Rua do Correio, freguesia da Vitória.

Estudos de Belas Artes, Ciências Pedagógicas e História, nas Universidades de Porto e Coimbra. Cursos e seminários de formação nas áreas da Educação e Património Cultural, na Nova Universidade do Ulster (Desenvolvimento curricular) e Universidades de Manchester (Formação de Professores), Newcastle (Património e Educação), York (Educação e tecnologia) e C.R.D.P. de Bordéus (Comunicação Audio-Visual). Estágio no Museu de Vasterbotten em Umea para estudo da pesquisa e apoio às culturas locais e regionais, como bolseiro do Instituto Sueco da Cultura.

Publicou estudos e ensaios sobre educação e Ensino nas revistas “O Professor”, “O Ensino” e “Escola Democrática”. Realizou conferências nas áreas da educação, Ensino e Património Cultural em instituições culturais e educativas de todo o país e ainda em Barcelona (Movimentos de renovação Pedagógica) e Paris (Centro Cultural Português).

Membro da Comissão Nacional da Campanha de Defesa do Património Cultural (1979-1980); membro da Comissão do Artesanto da Região Norte (COMARN), membro do conselho consultivoda SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana – Porto). Publicou ensaios e estudos sobre temas de Património cultural, Tradições populares e História social e cultural do Porto nas revistas “A Razão”, “Movimento Cultural”, “Vértice”, “Mea Libra”, “Porto de Encontro”, “Turismo cultural”, “Raízes e Memórias”, “Volta ao Mundo” e outras, e ainda nos jornais “Publico”, ” O Primeiro de Janeiro”, “O Diário”, “Norte Popular”, “O Padrão”, “Das Artes entre as Letras”,etc.

Colaborador da RDP – Antena 1 (1984-1988), com programas sobre Património e Tradições culturais. Coordenador de projectos de investigação das culturas e tradições regionais publicadas sobre Abrantes, Aveiro, Barcelos, Bragança, Èvora e Portalegre, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu pela editorial “Terra Livre”, do Ministério da Comunicação social (1977-1980); colaborador do projecto “o Vale de Campanhã na Memória da Gente”, publicado em 1999 pela Fundação para o Desenvolvimento do Vale de Campnhã; coordenador do projecto “A Escola à Descoberta do Porto”, do Pelouro da Educação da C.M.P. (1988-2000); coordenador do projecto “Ler o Porto” (fontes bibliográficas portuenses na Internet) (2000-2001); colaborador do “Jornal de Notícias” com crónicas sobre temas de património e cultura portuense desde 1988.

-Prémio Rodrigues Sampaio da AJHLP (1985).

-Medalha de Mérito – Grau Ouro – da Câmara  Municipal do Porto (1988).

-Troféu Gratidão da Casa da Imprensa (1994).

-Medalha de Mérito Cultural da Freguesia de Lordelo do Ouro (1996).

-Cidadão Honorário da freguesia de Lordelo do Ouro (1996).

-Cidadão Honorário da feguesia de Ramalde (1999).

-Prémio Talma do AMASPORTO (2004).

-Prémio de Mérito infante D. Henrique (2006), da Confraria das Tripas à moda do Porto.

-Grande Oficial da Ordem do Mérito (2006).

-Prémio Seiva 2007 (Seiva Trupe).

– Distinguido como Profissional do Ano 2011 pelo Rotary Club do Porto.

– Galardão “Porto Sentido” 2011 do jornal Veris.

– Medalha de Mérito Cultural e Científico “Classe Ouro”, pela Câmara Municipal de V. N. de Gaia (2012).

– Sócio Honorário do Clube Fluvial portuense (1991).

– Sócio honorário da AMAI (Associação para a Medicina as Artes e as Letras) (2014).

– Sócio Honorário do Sporting Clube Vasco da Gama (2010).

– Diploma de mérito Cultural da Freguesia de Campanhã (2005).

– Sócio Honorário (2000) e Sócio de Mérito(2011) do Académico F. Clube.

Actividade docente e pedagógica: Colaborador do Dr. Leonardo Coimbra na Fundação do Centro de Recuperação de Crianças Deficientes, coordenador Pedagógico do mesmo (1960-1970). Publicação do “Esquema funcional de um Programa ou Recuperação Pedagógica” (1º estudo na área da Educação), Professor do Ensino Preparatório(1960-1968), Professor Metedólogo (1968-1973), Professor do Ensino Secundário (1973-1980), Inspector-Coordenador da DGEB (1975-1980), Quadro Técnico do ME (Inspector-Principal da IGE, 1980-1993), Professor convidado em Instituições de Ensino Superior, é actualmente Professor de História Social e Cultural do Porto no Instituto D. António Ferreira Gomes. Participou na comissão de Estudos da Reforma Educativa do 1º Governo Provisório (1974-1975) e integrou comissões de elaboração de programas de Ensino e Formação de Professores até 1980.

Homenagem às Carquejeiras do Porto

•02/06/2016 • Comments Off on Homenagem às Carquejeiras do Porto

Dezenas de pessoas compareceram no Auditório da Fundação Manuel António da Mota para participar na homenagem às Carquejeiras do Porto. Numa cerimónia sentida e plena de significado pudemos testemunhar a vida dura destas mulheres até meados do século passado.
Arminda dos Santos e Maximina Girão, presidente e vice-presidente respetivamente da Associação das Carquejeiras deram a conhecer aos presentes um local onde durante anos as carquejeiras resistiram e lutaram silenciosamente e comunicaram o seu propósito de angariar fundos para erigir um monumento em homenagem a estas mulheres.
Rui Pedroto, Presidente da Comissão Executiva da Fundação abriu esta sessão, dando as boas vindas ao público e enaltecendo o trabalho da Associação das Carquejeiras e Hélder Pacheco, investigador, escritor e cronista das culturas e tradições populares do Porto mencionou a ausência de revolução industrial como uma das explicações para até muito tarde se recorrer à força humana para desempenhar muitas tarefas que já eram atribuídas a máquinas noutros países, abordando ainda o modo de vida no século passado um pouco por toda a cidade.
O evento contou ainda com a participação de elementos do Rancho Folclórico do Porto, de Lurdes dos Anjos que deu brilhantemente voz aos testemunhos recolhidos juntos das últimas carquejeiras ainda vivas e por fim o poeta popular Carlos Nelson que brindou o público com dois magníficos poemas.
Foi um momento, protagonizado pela Associação de Homenagem às Carquejeiras do Porto com o apoio da Fundação, onde foi prestada homenagem a estas mulheres, divulgada a sua história e enaltecido o esforço muitas vezes sobre-humano a que foram sujeitas durante décadas na cidade do Porto.

13321971_1317167154979044_1822738303005796175_n

(fotos gentilmente cedidas por António F. Maia)

•10/05/2016 • Comments Off on

13051535_551117195058417_6911739422822083103_n

Apresentação do Livro “CAMPANHÃ E OS 140 ANOS DA ESTAÇÃO DE CAMINHOS-DE-FERRO”

•10/05/2016 • Comments Off on Apresentação do Livro “CAMPANHÃ E OS 140 ANOS DA ESTAÇÃO DE CAMINHOS-DE-FERRO”

Charleston Porto

•18/04/2016 • Comments Off on Charleston Porto

Do centralismo televisual

•17/04/2016 • Comments Off on Do centralismo televisual

A Fox Crime transmite actualmente a série policial “Lewis”, depois de ter apresentado outra, da mulher a quem nenhum salafrário escapa: “Vera”, Inspectora-Chefe da polícia. Antes, tinha-nos brindado com a notável “Midsummer Murders”, e ainda mostrara a série DCI Banks (Detective Inspector-Chefe). Tudo crânios de primeira categoria a desvendar os crimes que, pelos vistos, enxameiam pela Inglaterra fora.

Contrariamente aos países submetidos ao centralismo mediático, estas séries de nível internacional não foram realizadas em Londres, mas na «província». Uma, em Oxford, outra em aldeias encantadoras do campo, na região fictícia de Midsummer, “Banks”, filmada em Leeds, estende-se ao Yorkshire. E “Vera” desenvolve-se na Northumbria e diz-me muito. Vivi em Newcastle experiências profissionais inesquecíveis e revejo nos filmes as paisagens agrestes e tristonhas, as cargas sociais, o falar da gente do Norte, e recordo quem lá conheci.

Estas séries são impossíveis entre nós. A telenovelística nacional é dos tiques, caras, cenários, falares e artifícios da linha Lisboa-Cascais e seus arredores. É um mais do mesmo. Séries inesquecíveis como “Os Andrades” e “Um Táxi na Cidade” (com o saudoso Jacinto Ramos percorrendo o Porto) foram milagres de descentralização. E “A Ferreirinha” excepção numa deriva fora da capital por distracção dos tutores da produção pátria.

Devo dizer, em abono da verdade, que, ultimamente, na RTP, parece evidente o esforço de aproveitamento dos recursos portuenses. A produção de programas, documentários e séries fora dos lóbis e interesses espúrios terreiro-pacistas seria enorme sintoma de que o país abandonou o Absolutismo. Afinal, a área metropolitana de Leeds tem 700 000 hab e a do Porto mais de 1 milhão e meio. De que estamos à espera?

©helderpacheco 2015

Verbos de antigamente

•17/04/2016 • 1 Comentário

Nos tempos homéricos da minha infância na Rua do Correio janelava-se. Janelava toda a gente do lado em que morava (do outro só havia escritórios), conjugando o verbo janelar, que significava «passar a vida à janela» – o que não era bem o caso. A  vizinhança era, portanto, janeleira (o que também designava quem gosta de estar à janela). E conversadeira. Janelava-se, pois, para ver quem passava na rua e conversar com quem estava nas janelas próximas. Janelar queria dizer «estar com», além de menar o que sucedia num raio de muitos metros em redor. E saber notícias, novidades, escândalos, boatos e segredos (daqueles que só se dizem a uma pessoa de cada vez).

E, se a casa o permitisse, varandava-se, para realizar os mesmos rituais do estar à janela mas mais amplos e de corpo inteiro. Varandar, sobretudo nos verões abafadiços da Baixa, era a oportunidade do arejamento e do ritual diário de regar as plantas dos vasos. E a cidade ficava assim aconchegada, caseira, metediça, um tanto má-língua e terra-a-terra, mas – céus! – humana até ao tutano. E simples.

O mundo moderno, que tem, sobre os tempos homéricos, a vantagem de nos fazer viver muito mais, matou aqueles verbos e o que eles encarnavam. Hoje ninguém quer janelar ou varandar. Primeiro, porque é provinciano e, segundo, porque a realidade, a paisagem e os outros são para mirar virtualmente no smartphone. Eu próprio me alienei, pois, para não andar em apertos e não havendo já a varanda do Snr. Quirino na Ribeira, habituei-me a ver o fogo de S. João pela T.V.

Mas, ao menos, usufruo da minha varanda, onde – como não gosto de praia – apanho sol e me enfarto de azul, com a vantagem de não ter nortada nem areia! Mas não há com quem falar, a não ser pombas e gaivotas. E essas, por enquanto, para conviver não servem.

©helderpacheco 2015

As nossas comidas

•17/04/2016 • Comments Off on As nossas comidas

Diziam que o Norte era Minho, Douro Litoral, Trás-os-Montes e Alto Douro. E ainda não apareceu melhor. Em matéria de faca e garfo, era assim: bacalhau à Margarida, à Narcisa, à João do Buraco, à Túnel, à Zé do Pipo e à Gomes de Sá, lampreia (doce e sem ser), salmão ou sável, rojões, papas de sarrabulho, frigideiras, caldo verde, pescada à poveira, orelheira com feijão, tripas. Bifes à Padre Piedade, cabrito ou anho assados, alheiras, bola de Lamego, posta mirandesa, presunto assado, morcelas, lombo de porco assado, tortas de Chaves, iscas de bacalhau, bacalhau na brasa, trutas de Boticas, vitela assada e cozido à transmontana. E mais uns não sei quantos de bradar aos céus.

Quanto a adoçar o palato: formigos, rabanadas, pão-de-ló, pudim do Abade de Priscos, doces de chila, cavacas de Resende, queijadas de ovos, bolinhos de Jerimu, lérias, suspiros, melindres, morcelas e castanhas doces, torta doce, meias-luas, roscas, pastéis de Chaves e um manancial digno dos deuses.

Pois chegou-me à mão uma publicação editada pelo Turismo do Porto e Norte de Portugal. Bem apresentada e melhor impressa, com excelentes fotografias e uns quantos temas apelativos. Chama-se “The Only Destination”, segundo a edição inglesa. Obviamente o Norte.

Fiquei de pé atrás com a capa, que do Porto tem degraus descoloridos da Casa da Música, onde se sentam dois jovens a fazer que lêem. Mas quase caí para o lado ao chegar às «Receitas e sabores que passam de geração para geração». E sabem qual o prato representativo, significante, identitário da nossa terra? Folhas de vegetal (alface?) e bagos de romã. A cozinha nortenha é, afinal, de fusão. É «comida de grilo».

Justificação? Talvez a mistura da ignorância com a obsessão de ser moderno a todo o custo. Já não tenho estômago para estas coisas.

©helderpacheco 2015

 
Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 39 outros seguidores